Você já se perguntou como foi descoberto o segredo do café e como ele se tornou tão popular em todo o mundo? A lenda de Kaldi Diz a lenda que o café foi descoberto por um jovem pastor de cabras da cidade de Kaffa, na região da atual Etiópia. Mesmo assim é difícil determinar quando o café foi identificado como bem de consumo ou quem preparou a primeira infusão, sabemos apenas que a história popular aponta para meados do século III, tendo Kaldi como personagem de um feliz acaso. Conta-se que ele ficou intrigado com a vitalidade das cabras que comiam folhas e frutos de um arbusto comum nas montanhas abissínias, elas ficavam saltitantes e conseguiam percorrer longas distâncias sem demonstrar sinais de cansaço ou qualquer outra reação. Para observar melhor, Kaldi passou a alimentar o rebanho com os frutos vermelhos e, ao final de alguns dias, também quis experimentar. Como você deve imaginar, o pastor gostou do efeito estimulante que os frutos proporcionaram. Sentiu-se alegre, bem disposto, e passou a mascar café todos dias, principalmente para resistir ao sono nas noites de oração. Ele contou sua descoberta para um dos monges do monastério local e a notícia não demorou a romper fronteiras. O curioso é que apesar do nome de batismo ser semelhante ao da cidade onde a história começa, a palavra café deriva da palavra árabe qahwa, que significa vinho. Os árabes foram os primeiros a cultivar cafezais e pioneiros no hábito de beber café. Daí o nome científico de uma das espécies mais importantes, a Coffea arabica, e a razão por que o café foi chamado de “vinho da Arábia” pelos europeus. Registros históricos datam os primeiros cultivos em 575 d.C., no Iêmen, mas a bebida que conhecemos hoje surgiu no século XVI, quando os persas começaram torrar grãos.

O café no mundo Quando as primeiras sacas de café chegaram ao Ocidente em 1615, já havia colônias européias tentando introduzir plantios à revelia do mundo árabe, que mantinha o segredo do cultivo trancado a sete chaves. Foram os holandeses que conseguiram as primeiras mudas cultivadas na Europa, que cresceram em estufas do jardim botânico de Amsterdã. Os holandeses iniciaram o cultivo comercial em 1658, primeiro no Sri Lanka, depois em Java, o que encorajou outros países a tentar o mesmo. Por volta de 1706, sua produção abrangia grandes áreas da Indonésia e a maior parte do café javanês era exportada para outros países da Europa e para a América. O primeiro pé de café a crescer na França foi presente dos bem sucedidos holandeses ao rei Luís XV. A planta decorou a estufa de Versailles por muitos anos, até suas mudas serem cultivadas nas ilhas de Sandwish e de Bourbon. O famoso Café Bourbon é a fonte original de grãos brasileiros e mexicanos, como o Santos e o Oaxaca, mas levou tempo até as sementes chegarem aqui, de um jeito pouco convencional. O café foi trazido ao Brasil pelo oficial luso-brasileiro Francisco de Mello Palheta, que em 1727 recebeu a incumbência de ir à Guiana Francesa para tratar de questões fronteiriças como pretexto para trazer sementes de café. Naquela época, assim como sucedeu com os árabes, a produção cafeeira só era permitida em colônias européias, com um alto faturamento comercial, por isso Portugal armou seu plano. Palheta ficou íntimo da esposa do governador de Caiena e voltou ao Brasil com sementes de café arábica clandestinamente escondidas no vaso de planta presenteado por Madame D’Orvilliers. Hoje o Brasil é o maior produtor do planeta e estima-se que mais de 20 milhões de pessoas trabalhem na indústria cafeeira ou em seus negócios correlatos mundo afora.
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